sábado, 28 de junho de 2014

Iniciação – Aspectos controversos

Por Hercule Spoladore 
 Hercule Spoladore
Iniciação termo que consta nos dicionários como sendo o ato ou efeito de iniciar-se, ou o começo de qualquer coisa. Seria o recebimento das primeiras noções, de coisas misteriosas ou desconhecidas para os esotéricos, ou iniciar-se em uma profissão, um esporte ou em qualquer atividade humana.
Evidentemente esta é uma noção geral não se referindo tão somente à Iniciação Maçônica, a qual é apenas uma das muitas formas de iniciação, pois existe um número grande de entidades iniciáticas tais como as esotéricas, seitas das mais variadas tendências, religiões, escolas filosóficas, movimentos políticos cuja admissão as vezes é feita por uma iniciação. Até mesmo nas seitas satânicas existem iniciações. Leia mais

Também não se quer abordar os Grandes Iniciados, homens iluminados que já nasceram assim. Dotados de mentes abertas, cósmica em perfeita harmonia com a natureza e cujas combinações de seus gens que já trouxeram do ventre materno toda a genialidade como um Leonardo da Vinci, Bhuda, Pitágoras, Einstein, Cristo e tantos outros que poderiam aqui ser citados.
A abordagem deste trabalho será tão somente sobre Iniciação Maçônica e como cada maçom a recebe.
Quando se fala de Iniciação Maçônica, acredita-se que se esteja enfocando as Iniciações verdadeiras aquelas que logo de inicio se consegue pelo menos em parte envolver o iniciando nas profundezas dos mistérios da mente e do Universo, sendo este apenas o começo. Para completar esta Iniciação o adepto continuará seu trabalho, e sua luta será apenas sua e de mais ninguém e ele só a conseguirá através de muito estudo, meditação muito esforço, desprendimento dos males do consumismo e assim progredindo por toda a sua vida aproximar-se da Iniciação total. Nunca chegará a Iniciação completa. Sempre terá algo a acrescentar para chegar a total espiritualidade.
Atualmente, apesar do trauma mental violento e agressivo causado pela tecnologia, como consequência do avanço da ciência como um todo, da Realidade virtual da Mecatrônica da Robótica, da Nanociência, da Neurociência Neuro-Psicologia está se conhecendo um pouco mais sobre a mente humana e sua relação com o cérebro, o Homem Moderno desmistificou as religiões tradicionais, e também já não aceita incontável número de seitas e outras religiões que estão surgindo sempre com o pretexto de enquadrar as demais como sendo a melhor, se autodenominado abertas e ecumênicas, sem preconceitos, sem descriminações e chamando para si o verdadeiro caminho da busca divina. Batendo nesta tecla muitas destas religiões são fundadas com o único intuito de seus chefes somente arrecadar dinheiro. Pura balela. 
O Homem Moderno não aceita mais este estado de coisas. Mas os que não têm esta qualidade, ainda infelizmente, são milhões, estes são docilmente manipulados por uma falsa fé, que eles aceitam como verdadeira, sendo que estes pobres infelizes são envolvidos pelos mais variados dogmas e baboseiras que lhe são impostos, em nome de Deus.
O Homem Moderno é um buscador de verdades, esperto pesquisador das verdades transcendentais sabe inquirir deduzir e avaliar o que está correto. Este terá que forçosamente seguir outro caminho para ter suas respostas. Ele quando se enquadra neste grupo tem procurado várias correntes e entre elas a Maçonaria para viver novas experiências e encontrar respostas. 
Segundo Jung a “psicanálise foi o primeiro grito contra o império dogmático e sufocante das religiões”. Ao submeter-se ao divã o Homem estaria dando primeiro passo em direção a suprema ventura de conhecer-se a si próprio.
Sabe-se hoje que este autoconhecimento é conseguido sem participação da psicanalise, Desde que o Homem se recolha simbolicamente à sua “caverna da Montanha” como fez Zaratustra, ou por meditação, ou por ascese, ou se reciclando metodicamente, auxiliado pela sua autocrítica, após muito esforço, muito estudo, muito desprendimento chegará à sua iluminação interior.
Se um maçom chegar mais ou menos perto deste autoconhecimento estará realizado. A verdadeira Maçonaria espera só isso dele. Nada mais. Não esquecer que ela é uma escola de vida. Todavia isto apenas acontecerá no dia em que o maçom compreender e sentir este aspecto de sua vida cósmica.
Entretanto esta sensibilização é própria e particular de cada indivíduo, já que os seres humanos seres vicissitudinários, estando sujeitos às mudanças em suas vidas. Existem milhões de fantasmas dentro de cada um. 
Referem-se três aspectos fundamentais na vida do Homem: sua vida pessoal, seu relacionamento com o mundo e sua vida cultural.
É justamente neste último aspecto que o Homem Moderno nas suas buscas, entra em conflito entre a sua espiritualidade e as regras que a sociedade de consumo e as religiões tentam impor a eles. É preciso ter muito cuidado, ir com muito vagar, para não perder-se neste emaranhado de pensamentos e teorias, pois eles representam um verdadeiro labirinto.
Aliás, o labirinto, é um símbolo usado pelos antigos os quais erguiam os seus templos em forma de labirinto. Como se sabe os labirintos apresentam duas situações um centro e um caminho tortuoso, repleto de obstáculos que deverá ser percorrido com paciência e sabedoria para se chegar próximo a este centro, pois a Iniciação ocorrerá por toda a vida. A iniciação é eterna busca incessante deste centro.
Este centro seria o “estado do ser” o nosso outro EU, aspecto duplo de nossa personalidade. Esta seria então a finalidade da Iniciação Maçônica quando o adepto tenderá simbólica e espiritualmente chegar perto deste centro.
Todavia, muitos maçons apesar de todo este arsenal e toda a espiritualidade que a Ordem oferece para que possa leva-los às mais perenes verdades, no entanto, estão trocando este potencial, ou substituindo por outros valores de menor importância.
Muitos maçons se vangloriam que foram iniciados em tal dia, em tal loja-mãe, contam detalhes, querem explicar a seu modo as sensações que sentiram, mas se referem tão somente ao transcorrer material do ritual e não ao simbolismo espiritual e a experiência pela qual passaram ou deveriam passar. Correm atrás de graus, achando que este fato os torna sábios, não usam a ética para com seus irmãos, e mesmo assim acham que atingiram sua iluminação interior. Falsa sensação, puro engodo.
A verdadeira Iniciação em realidade não ocorre no dia do recebimento teatral de um novo membro na Ordem. Este seria apenas o começo apenas algumas pinceladas simbólicas do que está por vir.
A Maçonaria continua sendo secreta e inatingível para a maioria dos maçons. Muitos Irmãos acham que a Ordem é filantropia ou é voltada para a beneficência então se desgastam tentando resolver geralmente de maneira ingênua e inoperantes os problemas sociais que assolam a comunidade.
Outros pensam que a Ordem deve ter sua participação na politica, como se suas lojas fossem grêmios políticos. Os mais exaltados lançam mãos de manifestos sem efeito politico algum, ou então da militância politica.
Estão se esquecendo de que a Maçonaria é uma Escola de Vida, ela apenas prepara o adepto ensinando-o a ser um maçom verdadeiro, um homem com menos defeitos, mas tão somente mostrando-lhe o caminho. Se o maçom tiver pendores para a politica ou para a filantropia, ou qualquer outra atividade social então a Ordem guiará com seus princípios para que este Irmão atue como um verdadeiro embrião social, ou uma semente fértil, em torno da qual se aglutinará uma multidão como um todo e ele atuará como um líder. A Maçonaria apenas prepara o irmão. Não será ela agindo diretamente. Será o Maçom que fará este papel.
Infelizmente certo número de maçons acaba sendo uma conjura contra a própria Ordem. Um grande número de pequenas autoridades autodidatas, querendo moldar a Ordem à sua semelhança, fazendo com que seu modo de pensar e agir como se sejam os próprios princípios da Ordem, cujo poder advém pelo fato de não serem contestados, sendo que na maioria das vezes o maçom comum, os próprios mestres aceitam sem discuti-los, e isto faz com que se desvie a atenção do verdadeiro sentido iniciático da Maçonaria.
Este fato é uma consequência direta da falta de cultura porque a maioria dos maçons não lê, não estuda, não procura ser melhor, não faz reciclagem de sua vida maçônica e nem tenta saber por que entrou para a Ordem.
Não basta usar o avental e autoproclamar-se maçom. Não adianta usar o distintivo do compasso/esquadro na lapela, não adianta ostentar o grau 33 e não saber como um mestre deve se comportar realmente.
Não se está ensinando o que é Maçonaria para ninguém, porem a realidade é a que foi exposta. Nada foi inventado. Está tudo escrito. Basta tão somente os maçons enquadrados nesta descrição, terem um pouco mais de paciência e lerem e tomarem conhecimento do legado que nos deixaram os melhores mestres do passado.
Quem conseguir entrar num templo e sentir o poder espiritual dos símbolos que enxerga pela frente e ver neles a expressão divina e humana do seu significado mais transcendental, dentro do seu dinamismo atual; quem puder sentir a beleza interior de um Ritual, quando bem executado, quem puder contemplar as luzes místicas e sentir a Divindade presente, quem puder olhar o Pavimento Mosaico e entender a lei dos opostos quem conseguir adentrar a uma sessão de mente totalmente aberta, quem puder após muitos anos de estudos e perceber que modificou e que agora sente o GADU, mais universal e melhor, mais abrangente mais humano, sem rancores que não manda seu povo eleito decepar a espada seus inimigos, neste dia talvez o Irmão esteja a caminho de sua Iniciação Real, a qual é dinâmica, não é estanque, porque sempre haverá ter um a degrau a mais a ser galgado em escala cósmica.

*Hercule Spoladore – Loja de Pesquisas Maçônicas Brasil-Londrina-PR


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Para ler e meditar: o incrível processo da morte e os 5 arrependimentos antes de morrer

*Por Barbosa Nunes
Recebi este magnífico texto de Drauzio Varella, encaminhado pelo maçom membro do Conselho Estadual do Grande Oriente do Estado de Goiás e da Loja “João Guerra de Oliveira”, Olavo Junqueira de Andrade. Por merecimento recentemente nomeado desembargador do Poder Judiciário Goiano, coroando sua dedicada carreira, no ápice da magistratura goiana, a quem ratifico cumprimentos e orgulho dos seus irmãos da Maçonaria. O tema me remete com meditação aos 70 anos de idade, dos quais me aproximo. Acrescento ao final os cinco principais arrependimentos antes de morrer, retirados de um livro de Bronnie Ware, enfermeira australiana, especialista em cuidados de doentes terminais, que merecem profunda meditação. Iniciemos pelo texto de Drauzio Varella. Leia mais
"Nossos filhos se tornaram adultos e tiveram filhos. O nascimento de um neto é evidência de que não somos mais necessários para a perpetuação de nossos genes. Desse momento em diante a vida seguirá em frente, estejamos ou não por perto. Em 70 anos, uma recém-nascida se tornou avó ou bisavó. Quando nos aposentamos, a vida corre mais devagar. Nossos movimentos também estão mais lentos. Os sinais externos da idade ficam mais evidentes. Nossos sentidos estão menos sensíveis.
Desde o nascimento, começamos a perder os cílios responsáveis pela captação dos sons, no interior do ouvido. Nessa idade já temos dificuldade para escutar os sons de alta frequência. Devagar, com o tempo, perderemos até os que captam frequências baixas. Os ossículos que transmitem as ondas sonoras da membrana do tímpano para dentro do ouvido endurecem. Fica difícil ouvir o que os outros falam.
A visão também piora. A vida inteira expostos aos raios de sol, o cristalino, a lente dos olhos, perde a elasticidade e escurece. Pode até mudar a cor dos olhos. O cérebro precisa fazer acrobacias para compensar essas alterações.
O esqueleto reflete bem o desgaste de muitos anos. Os ossos continuam fabricando células novas para substituir as velhas, mas os osteoblastos já não dão conta de repor as células perdidas. A perda constante de massa óssea torna os ossos quebradiços: é a osteoporose, um perigo permanente. Sofrer uma fratura é muito mais fácil. Isso acontece com ambos os sexos, mas as alterações hormonais da menopausa aceleram o processo nas mulheres.
Por que a aparência de nosso corpo muda tanto entre os 40 e os 70 anos? É bem mais do que uma questão de uso e desgaste. O envelhecimento é um processo que afeta uma por uma de nossas células. A cada dia, bilhões de nossas células se dividem em duas. Para isso, precisam duplicar o DNA, e destinar uma cópia para cada célula-filha. Enquanto as células mais velhas morrem, as recém criadas ocupam o lugar deixado por elas. O problema é que o mecanismo de divisão celular é sujeito a pequenos erros. Quando o DNA é copiado, as imperfeições contidas nele também são duplicadas.
Cada um desses erros é transmitido às células-filhas, às células-netas e, assim, sucessivamente, para todas as descendentes. É como nas fotografias: cópias de cópias perdem a nitidez. Desde o nascimento trocamos todos os ossos do nosso rosto a cada dois anos. Aos 70 anos, nossa face é a trigésima quinta cópia da que tínhamos ao nascer. A cada cópia as imperfeições se tornaram mais aparentes. É por isso que parecemos tão diferentes quando estamos mais velhos.
Outra causa do envelhecimento está no ar que respiramos. Sem oxigênio não podemos sobreviver, mas ele nos corrói lentamente. Dentro de cada célula, as mitocôndrias são nossas centrais energéticas, nossas fábricas de energia. Elas combinam o oxigênio com os nutrientes para produzir a energia necessária ao funcionamento do organismo. Nesse processo são liberados poluentes, chamados de radicais livres, que agridem as próprias paredes das mitocôndrias e comprometem a produção de energia. Como consequência, não conseguimos mais repor as células necessárias, nem corrigir os defeitos ocorridos em seu DNA. O funcionamento dos órgãos fica comprometido. Eles podem falhar.
A morte, como a vida, é um processo construído no interior de nossas células. Da mesma forma que o DNA controla nosso desenvolvimento, também limita a duração de nossas vidas. Em cada cópia de si mesma, a célula perde um pequeno fragmento de DNA. Depois de bilhões de divisões, foi perdido tanto DNA que a capacidade de formar novas células fica comprometida.
A morte não é um acontecimento instantâneo. É um processo através do qual os órgãos pouco a pouco entram em falência. Ao dar as últimas batidas, o coração espalha pelo corpo um hormônio que alivia a dor: as endorfinas. Sem oxigênio, os órgãos param de funcionar. Em dez segundos a atividade cerebral cai. Em quatro minutos o cérebro será lesado irreversivelmente. Perderemos a condição humana.
A audição é o último sentido a nos abandonar. Mas algumas células permanecem vivas até mesmo depois da morte: as da pele ainda se dividem por 24 horas. E são necessárias 37 horas para que o último neurônio encerre a sua atividade.
Para alguns de nós, a vida pode durar muito tempo. Quem nasce hoje tem expectativa de viver 80 anos ou mais. Mas todas as jornadas um dia devem terminar.
Depois de nossa morte, nossos filhos e netos carregarão nossos genes no interior de suas células, e vão transmiti-los para seus descendentes. Nossa vida continuará dentro deles. As memórias que deixamos, também. A nossa Viagem Fantástica chegou ao fim."
O livro de Bronnie Ware, nos ajuda muito a aceitar a vida e vivê-la nos exemplos que ela nos traz, assim sintetizados após anos de convivência com pacientes terminais, que assim falaram:
1 - Gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim — Este foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que sua vida está quase no fim e olham para trás, percebem claramente que muitos sonhos não foram realizados.
2 - Gostaria de não ter trabalhado tanto  — Ouvi isso de todos os pacientes do sexo masculino que cuidei. Eles perderam a juventude de seus filhos e a companhia de seus parceiros. Todos os homens lamentaram profundamente gastar tanto tempo de suas vidas no trabalho.
3 - Queria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos — Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para ficar em paz com os outros. Como resultado, eles se acomodaram em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eles realmente eram capazes de ser. Muitos desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ressentimento que carregavam.
4 - Gostaria de ter mantido contato com meus amigos  — Muitas vezes eles não percebiam as vantagens de ter velhos amigos até que nas últimas semanas de vida percebem que não foi possível encontrar essas pessoas. Todo mundo sente falta dos amigos quando está morrendo.
5 - Eu queria ter me permitido ser mais feliz  — Esse é um arrependimento surpreendentemente comum. Muitos só percebem que a felicidade é uma escolha no fim da vida. As pessoas ficam presas em antigos hábitos e padrões, o famoso “conforto” com as coisas que são familiares. O medo da mudança fez com que elas finjam para os outros e para si que estavam contentes quando, no fundo, queriam poder rir de verdade e aproveitar as coisas boas da vida.
Vivamos enquanto há tempo, procurando viver a vida com otimismo, alegria,  amizade e sem arrependimentos no seu final.
*Barbosa Nunes é Grão-Mestre Geral Adjunto do Grande Oriente do Brasil
barbosanunes@terra.com.br.

extraido do blog: http://omalhete.blogspot.com.br/2014/06/para-ler-e-meditar-o-incrivel-processo.html#more

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pensamento do Dia - Nietzsche

O Despertar


Anos após anos, o povo brasileiro vem sendo atingido por uma avalanche de ações e atos desanimadores, dando ensejo à indignação silenciosa, que, aos poucos, foi tomando vulto, constituindo-se em estado de espírito desalentador, frustrando sonhos nacionalistas e a esperança de um melhor porvir.
O sentimento de revolta, que se encontrava sufocado, desabrochou e tomou forma, constituindo-se, no momento atual, em constantes demonstrações de civismo, em todo o território nacional, motivadas pelos descalabros que assolam o País, exigindo das autoridades, em todos os níveis de governo, providências e soluções imediatas. Gesto de cidadania que cria a esperança de dias melhores, diante da absoluta necessidade, também, de quem sejam banidos os desregramentos morais decorrentes da avassaladora corrupção.
A maçonaria, apartidária e historicamente solidária com a vontade popular, sempre agiu, sem alarde, nos grandes momentos políticos contra os ardis e as sutilezas, tão perversos à Pátria; nunca se emudeceu diante de situações em que o bem comum é marginalizado e quando, por isso, se insinua uma debilidade das Instituições em rota de colisão com o direito dos cidadãos.
Desta feita, coerentemente com as suas tradições, diante do uníssono grito popular desprovido de partidarismo, que envolve todos os segmentos sociais, com a efetiva participação de crianças, adolescentes, adultos e idosos, exercendo a plenitude democrática, há de reconhecer a legitimidade dos interesses postos nesses magníficos e ordeiros movimentos contrários às chicanas e que chamam por políticas públicas voltadas à justiça social, sem especulações ou demagogias, enfim, honestas e sérias. Obviamente, repudia os atos de vandalismo e hostilidade de uma minoria que se infiltra, subversivamente, em tentativa de quebrar a consciência pacifista da legítima mobilização popular.
Em sua, há de se respeitar a individualidade, para que a consciência cidadã prevaleça.
O Brasil acima de tudo!
Marcos José da Silva
Grão-Mestre Geral



quinta-feira, 13 de março de 2014

CARTA DA LOJA MAÇÔNICA ACÁCIA DAS NEVES Nº 22 ORIENTE DE SÃO JOAQUIM-SC – FILIADA AO G.O.S.C



CARTA DA LOJA MAÇÔNICA ACÁCIA DAS NEVES Nº 22 ORIENTE DE SÃO JOAQUIM-SC – FILIADA AO G.O.S.C
Vivemos um dos momentos mais difíceis de nossa história.
O povo está sendo mantido na ignorância e sustentado por um esquema que alimenta com migalhas a miséria gerada por essa mesma ignorância.
A tirania mudou sua face. Já não encontramos os tiranos do passado que com sua brutalidade aniquilavam as cabeças pensantes, cortando o pescoço. Os tiranos de hoje saqueiam a Pátria e degolam as cabeças de outra forma. A tirania se mostra pela corrupção que impera em todos os níveis.
Encontramos mais viva do que nunca as palavras do Imperador Romano Vespasiano que na construção do Grande Coliseu disse: “DAI PÃO E CIRCO PARA O POVO”. Esse grande circo acontece todos os dias diante de nossos olhos, especialmente sob a influência da televisão, que dá ao povo essa fartura de “pão” e de “circo”. Quando pensamos que a fartura acaba, surgem mais opções.
Agora vemos a Pátria sendo saqueada para a construção de monumentais estádios de futebol, atualmente chamados de arenas, nos moldes do que era o Coliseu, uma arena. Enquanto isso os hospitais estão falidos, arruinados, caindo aos pedaços.
Brasileiros morrem nas filas e nos corredores desses hospitais; já outros filhos da Pátria morrem pelas mãos de bandidos inescrupulosos que se sentem impunes diante de um Estado inoperante, ineficiente e absolutamente corrompido. Saúde não existe, educação não há, segurança, muito menos.
Porém, a construção dos “circos” continua ! Mas o pão e o circo também vêm dos “Big Brothers” das “Fazendas”, das novelas que de tudo mostram, menos verdadeiros valores e virtudes pessoais. Quanto mais circo, mais pão ao povo. E o mais triste é que o povo, mantido na ignorância, é disso que mais gosta.
Nas tardes, manhãs e noites, não faltam essas opções de “lazer”. O Coliseu está entre nós. O circo está entre nós.
Já o pão, esse vem do bolsa isto, do bolsa aquilo, mantendo o povo dependente do esquema subtraindo-lhe a dignidade e a capacidade de conquistar melhores condições de vida com base em suas qualidades, em seus méritos, em suas virtudes. Agora, o circo se arma em torno do absurdo que se coloca à população de que o problema de saúde é culpa dos médicos. Iludem e enganam o povo, pois fazem cair no esquecimento o fato de que o problema de saúde no Brasil é estrutural, pois o cidadão peregrina sem encontrar um lugar digno,nem mesmo para morrer.
Então, absurdamente, em desrespeito aos filhos da Pátria, são capazes de abrir as portas para profissionais estrangeiros, alguns poucos não cubanos. Os tiranos têm a audácia de repassar R$ 40.000.000,00 mensais que são sangrados dos cofres públicos para sustentar um outro governo falido e também tirano, o cubano; um dinheiro sem controle e sem fiscalização. Os pobres profissionais que de lá vêm, não têm culpa. É um povo sem liberdade, sem direito de expressão, escravo da tirania. Esses médicos recebem migalhas daquele governo. Mal conseguem sustentar a si e a seus familiares.
Os R$ 40.000.000,00 que serão mensalmente enviados para Cuba solucionariam o problema de inúmeros pequenos hospitais pelo interior deste País. Mas não é a isto que ele servirá. Nós estamos a financiar um trabalho explorado, escravizado, de profissionais que não têm asseguradas as mínimas condições de dignidade de pessoa humana, porque simplesmente não são homens livres.
E nós, brasileiros, devemos nos envergonhar de tudo isto, porque estamos sendo responsáveis e coniventes por sustentar todo esse esquema, todos esses vícios, comportando-nos de maneira absolutamente inerte. Esses governantes, que tanto criticam o trabalho escravo, também não esclarecem à população o fato de um médico brasileiro receber o mísero valor de R$ 2,00 por uma consulta pelo SUS.Do valor global anual que recebem, ainda é descontado o Imposto de Renda, através de uma escorchante tributação sobre o serviço prestado, que pode chegar ao percentual de 27,5%.
Em atitude oposta, remuneram aqueles que não são filhos da Pátria, os estrangeiros, com o valor de R$ 10.000,00 mensais por profissional, cabos eleitorais desses governantes.
Profissionais da saúde no Brasil, servidores públicos de carreira, à beira da aposentadoria, com dedicação de uma vida inteira, receberão quando da aposentadoria metade do valor pago ao estrangeiro.
Não podemos aceitar a armação desse circo, em cujo picadeiro o povo brasileiro é o palhaço !
A Maçonaria foi a grande responsável por movimentos históricos e por gritos de liberdade em defesa da dignidade do homem. Foi por Maçons que se deu o grito de Independência do Brasil, da Proclamação da República, da Abolição da Escravatura. Foi por Maçons que se deu o brado da Revolução Farroupilha.
E o que está fazendo a Maçonaria de hoje ao ver o circo armado, com a distribuição de um pão arruinado pelo vício que sustenta essa miséria intelectual ? Não podemos ficar calados e inertes !
A Maçonaria, guardiã da liberdade, da igualdade e da fraternidade, valores que devem imperar entre todos os povos, precisa reagir, precisa revitalizar seu grito, seu brado para a libertação do povo. Esse é o nosso dever, pois do contrário não passaremos de semente estéril, jogada na terra apenas para apodrecer e não para germinar.
A Loja Maçônica Acácia das Neves incita a todos os Irmãos: para que desencadeemos um movimento de mudança, de inconformismo, fazendo ecoar de forma organizada, a todas as Lojas e os Maçons desta Pátria, o nosso dever de cumprir e fazer cumprir a nossa missão de levantar Templos à virtude e de cavar masmorras aos vícios !

Fraternalmente,
Alaor Francisco TissotGrão-Mestre – GOSC
Texto extraido:


Lígia Ferreira
Folha Política

terça-feira, 4 de março de 2014

O ágape na maçonaria não é confraternização, é parte do ritual







A espiritualidade é regida pelo princípio da temperança. O caminho de Buda é o arcano XIIII do tarot. Nem muito, nem pouco; o necessário. Quanto maior o conhecimento dos dois lados mais justa e perfeita será a justa medida. Quanto maior o anjo maior o demônio. A busca espiritual é regida pela lei da dualidade e a dualidade não é apenas o maniqueísmo entre o bem e o mal, mas também o número 2. Todas as leis cósmicas estão em harmonia e não existe lei cósmica alguma que possa ser interpretada à sombra das outras. As leis cósmicas são luzes e luzes se somam, não se anulam. Assim como o 1 faz o 2 o 2 faz o 3. A dualidade do 2 gera a trindade do 3 e o 3 é o caminho do meio. Os dois caminhos opostos geram um terceiro: o caminho do meio. Sem o 2 não há o 3. É preciso passar pelo 2 para chegar ao 3. Quem se isola no 1 não alcança o 2 e quem não passa pelo 2 não chega ao 3 e o 3 é o objetivo. O 2 possui o 1 e o 3 possui o 2 e o 3. No 3 está a lei dos ciclos, quando tendo completado a volta se compreende o todo em harmonia alcançando-se uma nova etapa de compreensão. O 3 é o objetivo e não se alcança um objetivo sem percorrer as etapas necessárias. É preciso compreender o 1 e o 2 para chegar ao 3. O 3 compreende o 2 e o 1 e o 2 compreende o 1.
Todo ensinamento exotérico da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) possui o seu equivalente esotérico e vice-versa. Não há dogma da ICAR que vá de encontro à Verdade, pois os dogmas da ICAR são as manifestações da Verdade no 1. O caminho do 1 é o exotérico, é o dogma. O caminho do 2 é o esotérico; o esotérico existente no dogma no 1 e que acaba sendo erroneamente interpretado pelas pessoas como uma mera negativa ou antítese do dogma. A ignorância do 2 resulta na ignorância do maniqueísmo de seguir e negar cega e sumariamente todo dogma. O caminho do 3 é a ciência do 1 e do 2; a compreensão da harmonia e da unidade entre o exotérico e o esotérico. O 3 é a percepção da visão de Deus da ponta de cima do triângulo e de que Deus está além do bem e do mal porque está acima. O maçom, como buscador da Verdade, não pode ser escravo do maniqueísmo entre as pontas de baixo do triângulo, pois seu objetivo é ser como Deus e Deus não está nas pontas de baixo. Tanto não cabe ao maçom ser escravo do dogma quanto não lhe cabe ser escravo da absoluta e completa rejeição do mesmo, pois então não seria livre. O maçom deve ser o 3 e o 3 é o equilíbrio, resultante da ciência do bem e do mal, entre o 1 e o 2.
O ágape na atual maçonaria especulativa não é uma exclusividade da atual maçonaria especulativa. O ágape é tão antigo quanto as escolas de mistérios no planeta Terra. Se engana o maçom que pensa que o ágape foi inventado pela maçonaria e que após as sessões ele faz algo jamais visto no mundo. O ágape sempre fez parte das reuniões entre os Iniciados, inclusive desde a antiguidade. Entretanto, o modo como o ágape vem sendo conduzido pela atual maçonaria especulativa está cada vez mais distante do verdadeiro sentido do ágape para uma ordem iniciática como a maçonaria. Cada vez mais o ágape vem sendo conduzido como uma mera confraternização entre os irmãos após as sessões. Assim como no mundo profano as pessoas se reúnem pelos mais diversos motivos para comer e beber, os maçons têm conduzido o ágape como uma mera reunião de comes e bebes entre amigos, esquecendo-se do caráter sagrado do ágape que deve haver na maçonaria, pois a maçonaria é sagrada e o sagrado deve gerar o sagrado, assim como o profano gera o profano. O ágape na maçonaria não deve ser uma mera confraternização entre irmãos, mas deve ser o que sempre foi para os Iniciados: uma parte do ritual.
Quando uma pessoa recebe um comentário negativo de alguém ela se coloca em uma posição de perfeição negando sumariamente o comentário que recebeu e desqualifica seu crítico para desqualificar o comentário recebido. A pessoa criticada sequer chega a ponderar sobre o comentário negativo que recebeu para avaliar o quanto aquilo poderia estar correto. Muita baboseira é dita em relação à maçonaria, mas algumas coisas acabam tendo sentido se considerada a postura como a atual maçonaria especulativa vem conduzindo a maçonaria. Há quem diga que a maçonaria é uma mera reunião de homens que se juntam para comer e beber. Em termos tal afirmação não há de ser desqualificada, considerando que a atual maçonaria especulativa vê o ágape como uma mera confraternização entre os irmãos após as sessões para estreitar os laços fraternos. Se a maçonaria não concorda com a opinião dos que dizem que ela é uma mera reunião de homens que se juntam para comer e beber, a maçonaria deveria avaliar se o seu ágape não se transformou em uma mera confraternização com comida e bebida. A transformação da visão externa é de dentro para fora, inclusive a maneira de como o mundo profano vê a maçonaria.
O ágape sempre fez parte dos rituais dos Iniciados. Hoje o acesso a um templo é fácil e cômodo. É possível encontrar lojas maçônicas na esquina, no próprio bairro e a poucos minutos de automóvel. Na antiguidade o caminho até um templo era difícil para muitos. Iniciados faziam verdadeiras peregrinações, até mesmo de meses, para chegar a um templo. Os templos ficavam até mesmo em lugares de difícil acesso físico para que se ocultassem dos olhares profanos. Tudo era mais difícil no plano material. O ágape na antiguidade era também uma forma de satisfazer a necessidade fisiológica de nutrição após todo o esforço físico para participar de um ritual. Pessoas que tinham passado por grandes restrições físicas para chegar ao templo e participar do ritual tinham então o momento para se alimentar e se recompor. O Iniciado, mesmo após todo o esforço físico para participar de um ritual, faminto, diante da oportunidade de saciar sua fome e sem certezas sobre o seu retorno, se portava de uma forma introspectiva e contemplativa, pois o Iniciado sabe da importância da introspecção e da contemplação. A sabedoria vem pela introspecção e contemplação e não é à toa que o mundo profano trabalha contra isto, inclusive demonizando tais comportamentos.
Pessoas gostam de rezar ou orar antes de suas refeições como uma forma de gratidão a Deus pelo alimento. Mas basta que digam o “amém” para que comecem a comer feito porcos. À mesa gritam, faltam alto, deixam a televisão e o aparelho de som ligados da pior maneira possível, falam de assuntos absurdamente tolos, inúteis e abomináveis, atacam verbalmente os outros, presentes ou não, com indiretas ou diretas, falam sobre as intimidades das relações sexuais, inclusive sobre a vida sexual dos outros, e tratam o ritual de alimentação como se estivessem defecando no banheiro. É evidente que não adianta agradecer a Deus antes de comer e depois comer com o Diabo, fazendo do ritual de alimentação um banquete no inferno. A “gratidão” a Deus, essa “gratidão” que virou moda falar para tudo quanto é coisa - “gratidão” para cá, “gratidão” para lá -, não se dá por palavras, mas pela conduta. Assim como o que importa em relação ao Amor não são as palavras, mas a conduta. A gratidão a Deus pelo alimento não vem pelas rezas e orações ou por só comer verdurinhas, mas pelo respeito ao ato de se alimentar, alimentando-se conscientemente durante todo o ritual de alimentação, estando consciente do que aquilo representa na Criação.
A maçonaria preza pela fraternidade não apenas entre os irmãos, mas também com as cunhadas e os sobrinhos. Isto é bom, mas a obrigação ritualística deve sempre ser obedecida e estar acima dos interesses pessoais e transitórios. Um dos objetivos do maçom como iniciado em uma ordem iniciática é perpetuar a ordem através da obediência incondicional às leis maçônicas e à ritualística. Da mesma forma que as cunhadas e os sobrinhos não participam das sessões fechadas também não devem participar do ágape, pois o ágape faz parte do ritual. A maçonaria dá às cunhadas e aos sobrinhos incontáveis oportunidades de viverem a fraternidade maçônica, mas esta confraternização não deve ser feita no ágape. A função do ágape não é confraternizar. Quando um homem ingressa na maçonaria, por mais que a ordem inclua a família do maçom, este é o seu caminho. A evolução espiritual é sempre um caminho individual. Cada um evolui conforme seus próprios méritos. Todos evoluem individualmente e se a maçonaria é o caminho do maçom, as cunhadas e os sobrinhos também terão os seus caminhos. O desejo de ser amigo de todo mundo não pode se colocar acima da obediência à ritualística.
O caminho do 1 é o caminho do medo; o de se subjugar a Deus por temer os efeitos da desobediência - a ira de Deus e o sofrimento eterno da alma -. No caminho do 1 há o Deus que criou o homem para adorá-lo e isto se traduz no temor a Deus por ele ser todo poderoso. Se no caminho do 1 há o temor a Deus pelo receio dos efeitos da desobediência, no caminho incompreendido do 2 há o Deus que não precisa ser temido, pois “Deus é amor”, e o temer a Deus do 1 é apenas uma forma de opressão e controle. No 1 há o temor a Deus e no 2 incompreendido – compreendido no maniqueísmo e como antítese do 1 – nega-se a necessidade de temer a Deus. O 3 mostra que pode haver Amor no reconhecimento do poder de Deus. O maçom só é maçom quando compreende o 3 e vive em paz com o reconhecimento do poder supremo do Supremo Arquiteto do Universo. Para quem vive o 1 e não compreende o Amor de Deus, Deus deve ser apenas temido; para quem vive o 2 e não compreende o poder de Deus, Deus é apenas um bom camarada, mas quem vive o 3 compreende que amar a Deus, ser amado por Deus e estar sujeito ao seu poder supremo podem estar em harmonia. Os dogmas da ICAR que ressaltam o poder de Deus fazem parte do triângulo equilátero.
A compreensão do 3 pelo maçom resulta em seu respeito a Deus e ao modo como Deus faz as coisas; o respeito que vem não pelo medo, mas justamente por viver a harmonia entre amar a Deus, ser amado por Deus e estar sujeito ao seu poder supremo. A alimentação é um dos modos de como Deus faz as coisas. O processo de se alimentar é o sistema que Deus tem para o homem se nutrir e se Deus tem este sistema ele deve ser respeitado. O Iniciado respeita o ágape porque no ágape o homem se alimenta e a alimentação é como Deus faz as coisas. Por isto a alimentação deve ser respeitada e ser feita com consciência, na introspecção e contemplação natural que acompanham todo Iniciado. Em todo o processo da alimentação o Iniciado deve estar ciente de que este é o modo como Deus faz as coisas e respeitar este ato é respeitar o próprio Deus. Os Iniciados da antiguidade realizavam o ágape como parte do ritual pela consciência da importância da alimentação por ser a alimentação o modo como Deus faz as coisas, não para confraternizar. Os Iniciados tinham tanta consciência do sagrado que tornavam tudo sagrado, inclusive o ato de se alimentar. O Iniciado consagra, o profano profana. O ágape deve ser consagrado, não profanado.
O ágape não é uma mera confraternização de pessoas que se reúnem para comer e beber bem, mas é parte do ritual. Sendo parte do ritual, o ágape deve ser conduzido e respeitado como tal, assim como se conduz e se respeita o ritual dentro do templo. Em seu escopo de estreitar os laços da fraternidade o ágape não é um fim, é um meio. Os maçons não devem ter o ágape para comemorar a fraternidade, mas para estreitar os laços que os levarão às coisas maiores em favor da humanidade. A informalidade do ágape abre portas que não poderiam ser abertas no ritual, mas as portas são muitas e cabe a cada maçom escolher qual porta quer abrir, já que as chaves lhe serão dadas. Há os que consideram a maçonaria como uma associação de homens de negócios que se reúnem com o intuito de estreitar as relações comerciais e utilizam o ágape para estreitar tais relações, vendo o ágape como a oportunidade para conversar sobre negócios e ganhar dinheiro. É na liberdade da informalidade do ágape que cada maçom irá externalizar o que verdadeiramente espera da maçonaria. A última ceia de Jesus Cristo foi um ágape e aqueles que Jesus expulsou do templo foram aqueles que queriam se aproveitar das escolas de mistérios para enriquecer.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Os Templários por Charles Bispo

Os Templários
 
 
 
     Nos séculos XII e XIII, embora o cavaleiro fosse o combatente por excelência, não podia ser considerado como um verdadeiro “profissional da guerra”, pois sua atividade era apenas sazonal. O sistema militar ocidental estava baseado nas relações feudo-vassálicas, as quais foram readaptadas, mais tarde, às condições das cruzadas. A expressão “guerreiro profissional” melhor se aplica aos “cottereaux” ou aos “brabançons”, mercenários desprezados mas necessários aos exércitos medievais. Isso significa que os exércitos feudais não eram exércitos profissionais e, muito menos, permanentes. Longe disto...
     Esse papel só seria desempenhado, mais adiante, pelas ordens militares, em contextos e condições bem diferentes conforme os lugares em questão. Na Terra Santa, os estatutos hierárquicos do Templo, primeira parte dos retrais, acrescentados à regra (artigos 77-197), constituiram um código militar sem equivalente nas outras ordens, além de único na Idade Média.. Aborda precisamente a experiência da guerra no ultramar e demonstra claramente a transformação dos belicosos, mas indisciplinados grupos de guerreiros que acompanhavam seus suseranos na guerra, em um determinado, coeso, experiente exército regular, o qual, além disso passou a ser dotado do “esprit de corps”.
     Contudo, mesmo em relação aos “pobres soldados do Templo de Salomão”, nem sempre foi assim. Miguel, o Sírio, que revelou alguns detalhes sobre a origem dos templários, escreveu: “Embora sua instituição primitiva servisse para os peregrinos irem lá rezar e para os escoltar na rua, em seguida eles passaram a ir à guerra contra os turcos.”
     Muito cedo, de fato, os templários e os hospitalários foram integrados nos exércitos reais o Ultramar (a partir de 1129, em Damasco, no caso dos templários). Mas não se pode esquecer que a missão primordial tanto doTemplo quanto do Hospital era a de proteger os peregrinos. Em Jerusalém, por exemplo, um grupo de 10 templários era especialmente encarregado de “conduzir e proteger os peregrinos que iam ao flum Jordan (o Jordão)”.
     A Ordem do Templo (como as outras ordens) adotava vários signos que manifestavam tanto o “pertencimento” de seus membros como sua própria “identidade”. O sinal mais carregado de significação, depois do hábito, era sua bandeira ou “gonfalão”. Disso nos dão conta não só os retrais dos mestres do Templo, como também os cronistas da época. Bandeira, bandeirola, estandarte, gonfalão designam formas diferentes. Porém, a palavra latina do tempo era vexillum, a qual foi traduzida no francês dos retrais por gonfanon ou confanon (gonfalão) ou por enseigne (bandeirola), isso valia tanto para designar a bandeira do Templo como a dos Hospital de São João.
 
     Este estandarte, chamado “Baucéant”, embora grafado de maneiras diversas, tais como “Baucéant”, “Beauceant”, “Baucent” ou “Baussant”, tem sido muito discutido pelos estudiosos do mito templar. À respeito dele, como seria de se esperar, surgiram incontáveis teorias (algumas estapafurdias) mas, hoje em dia, chegou-se perto de um consenso. Geralmente é descrito como sendo preto e branco (ou prata e sablé, na terminologia heráldica), tendo na parte branca a cruz vermelha da Ordem. Outros especialistas, porém, afirmam que apesar de ser realmente preto e branco, o gonfalão não trazia qualquer cruz.
     Enfim, com a cruz ou sem ela, um estandarte que unisse tal par de opostos, possivelmente se destacaria melhor à luz crua que incidia sobre as areias do deserto e seria visível a todos, mesmo à distância.
     Como todo estandarte militar, também é provável que o Beaucéant, simbolicamente, representasse toda a Ordem, tanto “fisica”, quanto “espiritualmente”. Talvez por isso, o grito de guerra dos cavaleiros do Templo fosse: “A mim, senhor! Beauceant, socorro!”.
     O gonfalão também era hasteado quando o Templo tomava posse de um território ou de um “ bem”.
     A forma e as cores das bandeirolas das ordens sempre foram variadas, mas na Cronica majora de Mateus Paris estão desenhadas as vexilla do Templo e do Hospital, e o gonfalão do Templo realmente aparece como um retângulo vertical preto e branco. Aliás, por essa razão era chamado baucent (baussant), que significava simplesmente “bipartido preto e branco” (dizia-se também que um cavalo preto e branco era baucent).
     O étimo que faz baucent significar “vale cem” é evidentemente fantasioso. Isso equivaleria a dizer que “um templário valia por cem combatentes”, afirmativa sem dúvida exagerada, mesmo levando-se em conta sua bravura e destemor
Ponto de concentração dos cavaleiros em combate (e sua referência maior), o gonfalão era nomeado como se fosse uma “pessoa”. Por exemplo, “Bauceant acampando”, “bebendo água”, “detendo-se” e assim por diante. Durante as lutas, não se podia abandonar o campo de batalha enquanto o gonfalão estivesse erguido e, caso viesse a ser “abatido” ou “capturado” pelo inimigo, os irmãos templários deveriam se reunir ao gonfalão do Hospital (prioritariamente) ou a qualquer outra bandeira cristã.
     Abandonar o gonfalão do qual se estava encarregado para fugir de medo ao inimigo era falta gravíssima e significava a “perda da casa”. Deixá-lo para golpear o adversário (no ardor do combate) ou para atacar sem autorização acarretava a “perda do hábito”, punição enriquecida às vezes com a proibição de carregar o gonfalão no futuro. Os estatutos das outras ordens eram menos precisos. Mas, a partir das indicações dos retrais do Templo, pode-se pensar que o gonfalão do Hospital tinha um papel idêntico de representação da ordem. Aliás, havia gonfaloneiros nas duas ordens.
 
     Um certo número de dignitários do Templo dispunha permanenternente de um gonfalão: o mestre, o senescal, o comendador de Jerusalém, os comendadores de Trípoli e de Antioquia e, é claro, o gonfaloneiro... Este cavaleiro, cercado por um grupo de no máximo dez outros guerreiros, era encarregado de mantê-lo erguido no campo de batalha. Por precaução, o comendador dos cavaleiros dispunha de um gonfalão de reserva, enrrolado. Era terminantemente proibido baixá-lo até mesmo para atacar, porém, como o gonfaloneiro o trazia provavelmente fixado na extremidade de uma lança, esta determinação nem sempre era cumprida à risca. Por razões obvias...
     Durante o combate os cavaleiros usavam couraça e cota de malha. Tinham como armas uma espada pesada, a lança, o punhal e o maço de pontas e seus cavalos de combate eram os melhores da época.
     O conjunto dos irmãos combatentes, cavaleiros ou sargentos, formava o “convento”, termo que não deve ser confundido com a “edificação física”, pois, neste contexto, faz referência à companhia.
     Sobre suas acomodações na Terra Santa, os templários viviam em estage, isto é, na caserna, ou então num herberge, isto é, um acampamento.
     Quando estavam em operação, os cavaleiros eram formados “en route”, cuja disposição diferia conforme a situação de paz ou de guerra.
     Em tempos de paz, os irmãos cavalgavam sobre mulas ou cavalos ordinários, com os escudeiros à sua frente, estes conduzindo as bestas de carga, que levavam o equipamento e o material de acampamento.
     Aliás, regra distinguia até mesmo a cavalgada em “terra de paz” (território pacificado e seguro) e a cavalgada em “terra de alerta” (território mal controlado, provavelmente fronteiriço):
     “ Os irmãos, se passarem por água corrente em terra de paz, podem dar de beber aos animais se quiserem, mas que não se demorem. E se passarem por água em terra de alerta, o gonfalão (aquele que leva a bandeira e comanda o destacamento) atravessa sem dar de beber; não devem fazer isso sem tranqüilidade.”
Em tempos de guerra, os templários adotavam um comando distinto da organização normal da ordem. O mestre mantinha a preeminência, mas o marechal se tornava o comandante-em-chefe. Sob suas ordens, o submarechal se ocupava das armas; o turcoplier, dos turcoples e dos sargentos; o gonfaloneiro, dos escudeiros. Os irmãos eram então dispostos em “escala” ou “esquadrão”, montando ainda cavalos ordinários, mas já vestindo armadura. Os escudeiros, colocados à frente dos cavaleiros, levavam espadas e lanças, ao passo que outros, mais atrás, conduziam os destriers, ou cavalos de batalha. A formação em esquadrão era específica da época de guerra. Neste caso, o esquadrão ficava disposto em escala, durante os deslocamentos, ou em linha, no campo de batalha, quando o exército se preparava para atacar.
A distinção entre cavalgada em tempo de paz e cavalgada em tempo de guerra é fundamental:
     “Quando o convento cavalga pela estrada, o gonfalofleiro deve ir à frente do gonfalão e deve fazê-lo ser conduzido por um escudeiro ... E quando está em guerra, e os irmãos vão em escala, um turcople deve conduzir o gonfalão”.
     Os templários dividiam-se entre a vida conventual e a vida dos acampamentos, entre a “casa” (qualquer estabelecimento estável) e as barracas.
     Quando cavalgavam, os irmãos pegavam os cavalos da caravane e as bestas de carga do sommaige (o comboio dos equipamentos).O roupeiro distribuía as roupas e o material para dormir: a carpite, ou grossa coberta “para cobrir a cama ou seus pescoços enquanto cavalgam”; sacos, um dos quais feito de malhas de ferro (o treslis) para transportar roupas e cotas de malha. O equipamento e o material de acampamento eram carregados sobre bestas de carga, ao passo que os irmãos montavam cavalos ou mulas.
     Ao cavalgar, um irmão podia se aproximar de outro e lhe falar, mas sob a condição de obter licença do marechal e tomando cuidado de “ir e vir sob o vento”, caso contrário “a poudre (poeira) causaria problemas e aborrecimento à marcha”.
     O marechal ordenava a parada gritando: “Acampai, senhores irmãos, por Deus.”
Havia vários tipos de abrigo: em dormitório, sob a tenda e, sobretudo em caso de guerra, “abrigo em hotel” ou “de escala”, neste caso, às vezes simples interrupções de inspeção, necessárias para, por exemplo, proteger os víveres. Havia também paradas mais ou menos longas, quando instalavam emboscadas. Quando isso acontecia, “não se devia então “tirar nem freio nem sela”.
     O material de acampamento era composto de tendas: o mestre tinha direito a tendas redondas, aguiílier e/ou grebelure, esta menor que aquela, cabendo aos irmãos cuidar das estacas e postes (“laborar encaixes ou cavilhas”), assim como de suas armaduras.
     Se pretendiam demorar-se, começavam por erguer a tenda-capela, onde se reuniam para recitar as horas. (horas canônicas, segundo a regra)
     Em torno da tenda do mestre eram dispostas as do comendador da Terra e a tenda da carne. Depois as outras.
     De fato, em campanha era realmente designado um “comendador da carne” para dividir a comida.
     Quantas escalas havia? Durante a guerra em Trípoli e Antioquia, formaram-se duas escalas de cavaleiros, uma sob a direção do marechal do Convento, que fora a Tripoli ou a Antioquia, outra sob a do marechal da Terra (de Tripoli ou de Antioquia).’ Não se trataria antes de “batalhas”, cada uma agrupando um certo número de escalas? Pois, segundo o texto, uma escala era colocada sob a direção de um comendador de escala que dispunha de um gonfaloneiro e de dois cavaleiros para servi-lo: “E assim como é dito do Marechal (Mareschau),é dito do conjunto dos comendadores (commandeors) que fazem escala.” As escalas de cavaleiros somavam-se aquelas dos sargentos de armas e uma de escudeiros.
     Em combate os cavaleiros pegavam sua lança e seu escudo e montavam os cavalos de batalha, os magniníficos “destriers”. Os escudeiros, que até então carregavam as armas, passavam então a conduzir as mulas e cavalos de cavalgada, enquanto aqueles que haviam conduzido os cavalos de batalha segiam o mais perto possível seus senhores, prontos a socorrê-los ou a substituir-lhes a montaria ferida ou morta.
     ”E se o Marechal e os irmãos atacam, os escudeiros que levam os cavalos de batalha devem juntar-se a seus senhores, e os outros devem pegar as mulas (sobre as quais) seus senhores cavalgam e devem permanecer com o gonfaloneiro.”
A batalha, o ataque da cavalaria pesada, era apenas um aspecto dos combates. Nada se sabe sobre o treinamento desses homens que, em princípio, chegavam ao Oriente adultos e armados, portanto formados. A regra do Tempio proibia aos templários participarem de uma justa sem autorização, mas nem sempre todas as normas eram respeitadas.
 
Afresco do Templo de Cressac
 
Fonte: Os Templários
Afresco do templo de Cressac, chamado du Dognon ...
 
 
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     De fato, em campanha era realmente designado um “comendador da carne” para dividir a comida.
     Quantas escalas havia? Durante a guerra em Trípoli e Antioquia, formaram-se duas escalas de cavaleiros, uma sob a direção do marechal do Convento, que fora a Tripoli ou a Antioquia, outra sob a do marechal da Terra (de Tripoli ou de Antioquia).’ Não se trataria antes de “batalhas”, cada uma agrupando um certo número de escalas? Pois, segundo o texto, uma escala era colocada sob a direção de um comendador de escala que dispunha de um gonfaloneiro e de dois cavaleiros para servi-lo: “E assim como é dito do Marechal (Mareschau),é dito do conjunto dos comendadores (commandeors) que fazem escala.” As escalas de cavaleiros somavam-se aquelas dos sargentos de armas e uma de escudeiros.
     Em combate os cavaleiros pegavam sua lança e seu escudo e montavam os cavalos de batalha, os magniníficos “destriers”. Os escudeiros, que até então carregavam as armas, passavam então a conduzir as mulas e cavalos de cavalgada, enquanto aqueles que haviam conduzido os cavalos de batalha segiam o mais perto possível seus senhores, prontos a socorrê-los ou a substituir-lhes a montaria ferida ou morta.
     ”E se o Marechal e os irmãos atacam, os escudeiros que levam os cavalos de batalha devem juntar-se a seus senhores, e os outros devem pegar as mulas (sobre as quais) seus senhores cavalgam e devem permanecer com o gonfaloneiro.”
A batalha, o ataque da cavalaria pesada, era apenas um aspecto dos combates. Nada se sabe sobre o treinamento desses homens que, em princípio, chegavam ao Oriente adultos e armados, portanto formados. A regra do Tempio proibia aos templários participarem de uma justa sem autorização, mas nem sempre todas as normas eram respeitadas.
 
Afresco do Templo de Cressac
 
Fonte: Os Templários
Afresco do templo de Cressac, chamado du Dognon ...
Por Charles Bispo